Os discípulos tinham esquecido de levar o pão, e Jesus falou para eles terem cuidado com o fermento dos fariseus e de Herodes. Em determinado momento Jesus disse para eles terem cuidado em não viver de aparência, como sepulcros caiados, gente que parecia ser piedosa, mas com o coração ruim, cheio de coisas más. Jesus vem mostrar que o nosso coração tem que ser bom. É preciso que a gente seja bom.
Jesus disse para os discípulos terem cuidado, não é o que entra que torna o ser humano impuro, mas no que sai do coração do ser humano. Não tem alimento ruim, tem o uso mal que sua liberdade faz do alimento, da bebida. As coisas não são más, mal é o uso que você faz das coisas.
O problema está na pessoa que não tem controle, não tem limite. O problema está no humano, no uso da nossa liberdade.
A impureza está no coração, na forma de pensar, conceber, ali está a impureza, a maldade está no coração. O coração tem que ser purificado.
Temos que deixar a palavra de Deus nos purificar. Jesus fala do fermento de Herodes, parece que Herodes era mal. Os discípulos não estavam entendendo, pensavam que o problema era o pão que eles não tinham levado. Jesus falou uma coisa e os discípulos entenderam outra coisa. Não podemos criar um descompasso entre a palavra de Deus e nossa vida, e a capacidade de compreensão da palavra de Deus, precisamos pedir a Deus a graça da compreensão de sua palavra, como ela quer iluminar nossa vida, nosso coração.
Coração endurecido, petrificado é incapaz de deixar a palavra de Deus frutificar. O coração tem que estar sempre sensível a palavra de Deus ao amor de Deus, pedir sempre a graça de Deus, o coração sempre bom onde a palavra de Deus ressoa, transforma. E Jesus relembra os discípulos do milagre da
multiplicação dos pães.
O problema não era pão, mas o coração dos discípulos que não poderia ser como o coração de Herodes. Jesus falava uma coisa ele entendiam outra. Depois da morte e ressurreição de Jesus, depois da vinda do Espírito Santo eles vão ter o coração aberto. Vão entender a palavra de Deus, entrar no mistério da palavra de Deus.
É isso que o Espírito faz, abre o coração para que possamos entender a palavra de Deus. Para que possamos entrar no mistério da palavra.
Todos temos provação na vida, são Tiago diz que é feliz o que prova da provação, e permanece fiel, vai se tornando amigo da palavra de Deus, não podemos ter medo, mas temos que pedir a graça de permanecer fiéis a palavra de Deus. Quando provados nos tornamos amigos de Deus. Não podemos ter medo da provação, porque uma vez provados recebereis a coroa da vida eterna. Fomos criados para a vida eterna e não temos que ter medo da provação, temos que ter medo de sucumbir na provação. A provação nos torna amigos de Deus.
A provação não vem de Deus. A provação vem do inimigo e da nossa concupiscência, que é a tendência do coração humano para o mal, que é fruto do pecado original, onde temos a concupiscência. Quem cede a concupiscência, pratica o mal, cai no pecado.
O pecado mata a graça de Deus em nós, e nos conduz a morte, a morte da alma, perdemos a vida. Quem entra na trama do pecado perde a vida da graça na alma.
São Tiago no diz para que estejamos ancorados na palavra, no amor de Deus, na graça de Deus, evitando o pecado, não devemos ceder ao mal, para não pecar, o pecado mata a graça da alma, o mal mata nossa existência para o definitivo de Deus.
Todo bem vem do Pai das luzes, Deus é o autor do bem, autor do bem nas nossas vidas. Vocês chegaram ao terceiro dia do Rebanhão, passaram rezando, alimentando o coração, a existência. A palavra quer de nós isso, que nossa existência seja alimentada por Deus, seu amor e sua palavra. Que nós vivamos no amor e na amizade de Deus.
Não devemos ceder a trama do pecado, do mal.
Na quaresma devemos nos moldar em Deus. Devemos deixar que a palavra de Deus, a penitência, oração, caridade, vá formar nosso coração de discípulos missionários, deixar que a palavra de Deus tire os vícios do nosso coração, devemos nos converter. Ver onde precisamos nos converter.
Que possamos sair daqui com o coração aquecido, com disposição de viver como amigos e amigas de Deus.
Cardeal Dom Paulo Cesar – Arcebispo da Arquidiocese de Brasília
Texto por Ainara Veloso
Ministério de Comunicação Social – RCC-DF





