Meditando um pouco sobre a moção dada por Deus à Renovação Carismática Católica do Brasil, por meio do Conselho Nacional, para o ano da Unidade, é possível vislumbrar, com base em Santo Agostinho, duas cidades que fazem parte da nossa vida de servos: Babilônia e Jerusalém.

O Santo nos mostra que há no mundo duas cidades em construção – Babilônia, fundada no amor próprio – e a Nova Jerusalém, fundada sobre o amor a Deus até o desprezo de si mesmo.

Torre de BabelQuando se olha para Babel, vê-se um povo cuja língua é a mesma, no entanto, ninguém se entendia. De outro lado, quando se aprecia Pentecostes em Jerusalém, contemplam-se todos falando línguas diferentes, no entanto, todos se entendiam. Parece-me que já vimos isso em algum lugar!

O contraste apresentado leva a entender que em Pentecostes inicia-se a construção de uma Igreja Una para a Glória de Deus, enquanto em Babel, cada um deles construía um templo para a sua própria glória. Em Pentecostes havia a presença real do Espírito Santo, o único que pode nos ajudar a viver a Unidade mesmo que entre nós haja partos, medos e elamitas (cfm At.2,9).

O significado de uma Igreja unida vai muito além de estar juntos, fisicamente, num mesmo lugar. Vai além de submeter-se. Vai além da obediência. A unidade perpassa tais caminhos, mas resulta na união de almas e corações, “a multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At.4,32) e apenas a ação do Espírito Santo em nós a realiza em nossos grupos, núcleos e equipes de serviços.

O que nos impulsiona e alegra é que a unidade que buscamos é no Espírito e não na carne, pois, se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito (Gl 5,25).

Pode parecer que não, mas a linha entre Babilônia e Jerusalém é muito tênue. Em nossa missão, por mais que busquemos a santidade, podemos estar trabalhando em canteiros de obras para construção da Babilônia ou Jerusalém.

Termino como comecei, com Santo Agostinho: “Se, portanto, quereis viver do Espírito Santo, conservai a caridade, amai a verdade, desejai a unidade e alcançareis a eternidade”.

Deus os abençoe!

Kédina Rodrigues, presidente do Conselho da RCC-DF