A Igreja nos indica aquilo que é essencial na nossa vida de cristãos. E o essencial, segundo o Evangelho, é a misericórdia, como diz Jesus: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso». Pode existir um cristão que não seja misericordioso?, questionou o Papa, respondendo que não, o cristão necessariamente é misericordioso, pois este é o fulcro do Evangelho.
Assim, a Igreja nos ensina que não basta amar a quem nos ama ou nos faz o bem; é preciso dar de comer e beber a quem tem fome e sede; devemos visitar e cuidar daqueles que estão doentes, presos, abandonados, daqueles que estão próximos da morte. E como nos ensina? Não com lições teóricas, mas com o exemplo de tantos santos e santas que serviram Jesus através do amor ao próximo; e nos ensina também com o exemplo de tantos pais e mães que educam seus filhos a compartilhar o que têm.
Nas famílias cristãs, a hospitalidade é sagrada, disse o Papa, citando a lembrança de uma paroquiana argentina, que queria ensinar os seus três filhos a partilhar. E um dia, no almoço, um senhor bateu à porta pedindo comida. A mãe então pediu que as crianças dessem, cada uma, metade da carne e das batatas que comiam. Os filhos protestaram, mas aprenderam a lição: “Temos que dar o que temos, não o que nos sobra”.
O mesmo devemos fazer com os presidiários, que não são piores do que nós. “Todos somos pecadores”, recordou o Papa, e somos capazes de cometer os mesmos crimes de quem está na prisão.
Não basta fazer o bem a quem nos faz o bem. Para mudar o mundo para melhor, é preciso fazer o bem a quem não é capaz de retribuir, como fez o Pai conosco, doando-se Jesus. “Quanto pagamos pela redenção?”, perguntou o Papa à multidão. “Nada, é gratuita. Assim como fez o Pai, devemos fazer o bem gratuitamente.”

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/09/10/audi%C3%AAncia:_a_miseric%C3%B3rdia_deve_ser_ato_gratuito/bra-824409
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